terça-feira, 14 de outubro de 2014

Custeio Variável e Custeio por Absorção

Fonte: http://www.sindiconet.com.br/260/Informese/Divisao-de-despesas



Olá, queridos leitores, hoje iremos falar sobre os Sistemas de Custeio, mais uma das ferramentas utilizadas pela contabilidade gerencial.

Em decorrência ao crescimento das empresas, com o consequente aumento da distância entre o administrador e ativos e pessoas administradas, a Contabilidade de Custos passou a ser encarada como uma eficiente forma de auxílio no desempenho da Contabilidade Gerencial. (MARTINS, 2010)

A contabilidade gerencial, por meio da contabilidade de custos, é fundamental no planejamento estratégico das organizações, criando avaliações que auxiliam a gestão empresarial e a maximização dos resultados, contanto que seja realizada a difícil leitura, a partir da estratégia, particularidades organizacionais e escolha da melhor metodologia de custeio de acordo com a necessidade informacional da empresa. (FONTOURA, 2013)

Agora iremos detalhar os métodos de custeio Variável e por Absorção.

Custeio Variável

O método de Custeio Variável é aplicado, em sua maioria, nas organizações que estão iniciando a sua caminhada na área de custos, empresas com alta ociosidade nas operações e empresas comerciais de atividades simplificadas, tendo em vista que nessas circunstâncias uma análises em margens, ponto de equilíbrio, já dá um suporte informacional inicial conveniente, podendo migrar para outros métodos e análises com evolução da cultura organizacional. (FONTOURA, 2013)

Neste método, apenas os custos de produção que variam com o nível de produção são tratados como custos de produto, que na maioria das vezes são: materiais diretos, mão de obra direta e a porção variável dos custos indiretos de produção. Os custos fixos indiretos de produção são tratados como um custo de período e, como as despesas de venda e administrativas, são lançados por completo em cada período. Com isso, o custo de uma unidade de produto no estoque ou nos custos de produtos vendidos sob o método do custeio variável não contém nenhum custo geral de produção que seja fixo. O custeio variável também é conhecido como custeio direto ou custeio marginal. (GARRISON, 2013)

Embora o Custeio Variável ofereça informações decisórias muito mais rapidamente, mas os Princípios Contábeis utilizados atualmente não permitem a utilização de demonstrações avaliadas a base do Custeio Variável, pois de fato este modo fere com os Princípios Contábeis, principalmente o Regime de Competência e a Confrontação. Porém isso não impede que as empresas utilizem deste método para controle interno, ou mesmo que o formalize completamente na Contabilidade durante o período todo, basta que no final seja feito um lançamento de ajuste para que fique tudo amoldado aos critérios exigidos. (MARTINS, 2010)

Vantagens e Desvantagens do Custeio Variável

VANTAGENS
O impacto dos custos fixos nos resultados fica em evidência porque o total desses custos aparece no demonstrativo de resultados.
Não envolve rateios e critérios de distribuição de gastos, facilitando o cálculo e tornando este um modelo de fácil compreensão.
Os dados necessários para a análise das relações custo - volume - lucro são rapidamente obtidos no sistema de informação contábil.
O custeamento direto constitui um conceito de custeamento de inventário que corresponde diretamente aos gastos necessários para manufaturar os produtos;
O custeamento direto possibilita mais clareza no planejamento do lucro e na tomada de decisões;
O custeio direto oferece mais informações úteis e relevantes para tomada de decisão, principalmente por evidenciar, de forma clara e objetiva, a margem de contribuição que a instituição precisa ter para suportar determinado volume de atividade, de modo a absorver os seus custos fixos e gerar resultados favoráveis.
DESVANTAGENS
As dificuldades encontradas na separação entre custos fixos e variáveis são uma constante. Os erros ou inconsistências na classificação dos custos e ainda as mudanças dos custos variáveis torna este custeio limitado.
A exclusão dos custos fixos indiretos para valoração dos estoques causa a subavaliação, o que fere os princípios contábeis e altera o resultado do período.
Na prática, a separação dos custos fixos e variáveis não é tão clara como parece.
Não é aceito pela legislação tributária para fins de avaliação de estoques.
Ao não considerar os custos fixos acaba tendo uma visão de curto prazo.
É desvantajoso para a elaboração de relatórios externos.
Fonte: Apostilha do Projeto - A Utilização da Contabilidade de Custos no Processo de Tomada de Decisão

Custeio por Absorção

A característica mais forte deste método é que todos os custos de produção são alocados aos produtos, mas apenas os custos de produção, enquanto as despesas de estrutura, comercialização, administração, são reconhecidas como custos do período, não sendo distribuídos aos produtos. Dessa forma, os custos dos produtos são basicamente matérias-primas, mão de obra, depreciação, e outros custos ligados diretamente à produção, como energia elétrica rateada. Com isso, o custo dos produtos é o somatório dos custos indiretos distribuídos aos produtos de acordo com a utilização e os custos diretos específicos de cada produto. (FONTOURA, 2013)

Diferente do anterior, o Custeio por Absorção é aceito nas demonstrações e para o pagamento de Imposto de Renda, tendo em vista que ele não fere os princípios Contábeis e ainda está comtemplado no CPC 16, que trata da valorização de estoques. (MARTINS, 2010)
“Por incluir todos os custos de produção nos custos de produto, o custeio por absorção em geral é chamado de método do custo total.” (GARRISON, 2013)

Vantagens e Desvantagens do Custeio por Absorção

VANTAGENS
É de fácil implantação e de melhor aceitação, uma vez que todos os custos são absorvidos e integrados ao custo unitário;
Obedece aos preceitos contábeis geralmente aceitos;
Está de acordo com a legislação fiscal;
Os custos fixos possuem grande relevância;
O custo fixo é levado a estoque e só transforma-se em resultado no momento da venda;
Permite a apuração de custos por “centro de custos”.
Alocação de todos os custos pode melhorar a utilização dos recursos escassos de uma empresa reduzindo desperdícios.
É útil em empresas que tem processo de produção pouco flexível e com poucos produtos.
DESVANTAGENS
Incorpora ao valor dos estoques os custos fixos indiretos, o que gera uma superavaliação de estoques, pois, custos indiretos fixos deveriam ser registrados como despesa do período a que se refere;
Promove distorções nas decisões devido à arbitrariedade dos rateios e de incentivar a superprodução;
O seu uso é apenas para relatórios contábeis externos;
Leva a decisões econômicas inadequadas, incentivando a redução dos custos unitários;
Contêm quase sempre uma arbitrariedade, pois, as alocações são feitas sem vincular o custo a cada produto;
O custo unitário sempre é mascarado por incorporar o custo fixo indireto.
Não evidencia a capacidade ociosa da empresa.
Poderá elevar artificialmente os custos de alguns produtos.
Fonte: Apostilha do Projeto - A Utilização da Contabilidade de Custos no Processo de Tomada de Decisão

Custeio por Absorção X Custeio Variável

Para que possamos visualizar melhor as diferenças, abaixo segue dois quadros comparativos entre o Custeio por Absorção e o Custeio Variável.

 QUADRO I

CUSTEIO POR ABSORÇÃO
CUSTEIO VARIÁVEL
CUSTOS DE PRODUTOS


MATÉRIA-PRIMA DIRETA
CUSTOS DE PRODUTOS
MÃO-DE-OBRA DIRETA
CUSTOS GERAIS VARIÁVEIS DE PRODUÇÃO
CUSTOS GERAIS FIXOS DE PRODUÇÃO
CUSTOS DO PERÍODO

CUSTOS DO PERÍODO

DESPESAS VARIÁVEIS DE VENDA E ADMINISTRAÇÃO
DESPESAS FIXAS DE VENDA E ADMINISTRAÇÃO
Fonte: Apostilha do Projeto - A Utilização da Contabilidade de Custos no Processo de Tomada de Decisão

QUADRO II

CUSTEIO POR ABSORÇÃO
CUSTEIO VARIÁVEL
Todos os custos de fabricação são considerados como custo do produto.
Apenas os custos variáveis são considerados.
O resultado varia em função da produção.
O resultado varia somente em função das vendas.
É necessário utilizar métodos de rateio, muitas vezes arbitrários, para atribuir os custos fixos aos produtos.
Não se utiliza métodos de rateio, os custos fixos são considerados como despesa e não como custo do produto.
É possível estabelecer o custo total unitário aos produtos.
Há um custo unitário parcial, pois considera os custos variáveis.
Não identifica a margem de contribuição;
Identifica a margem de contribuição unitária e global.
Importante para decisões de longo prazo.
Importante para decisões de curto prazo.
Fonte: Apostilha do Projeto - A Utilização da Contabilidade de Custos no Processo de Tomada de Decisão
  
Esses são dois dos diversos tipos de Custeio, nas próximas postagens apresentaremos outros tipos de Custeio. Fiquem ligados no nosso blog, curtam a nossa Fan Page no Facebook e não percam, em breve, a nossa promoção. Até mais!

Referências

GARRISON, R. H.; NOREEN, E. W.; BREWER, P. C. Contabilidade Gerencial. 14. ed. Porto Alegre: AMGH, 2013.


MARTINS, E. Contabilidade de Custos. 10.ed. São Paulo: Atlas, 2010.


FONTOURA, F. Gestão de custos: uma visão integradora e prática dos métodos de custeio. São Paulo: Atlas, 2013. 



A Utilização da Contabilidade de Custos no Processo de Tomada de Decisão. PROJETO DE EXTENÇÃO - UFPB. 

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Ferramentas Gerenciais



Dando continuidade as ferramentas, hoje iremos apresentar uma breve pesquisa sobre elas, elenca as mais frequentes nos artigos pesquisados e por fim, apresentaremos a ferramenta Orçamento.

Sulaiman et al. (2004 apud GONZAGA, 2010) consideraram como ferramentas tradicionais custeio padrão, análise da relação custo-volume-lucro, orçamentos e alguns indicadores de retorno, e como ferramentas modernas foram classificadas gestão da qualidade, custeio meta e balanced scorecard.

De acordo com Henrique (2008), as ferramentas da contabilidade gerencial são: Balanço Patrimonial, Demonstração do Resultado, Elaboração de Índices Financeiros e Econômicos (através do Balanço Patrimonial e da Demonstração de Resultado) e a Demonstração de Fluxo de Caixa.
Gonzaga (2010), classifica:

[...]como ferramentas tradicionais o custeio por absorção, custeio variável, custeio padrão, preço de transferência e orçamento. Classificou-se como ferramentas modernas o custeio baseado em atividades, custeio meta, benchmarking, custeio kaizen, teoria das restrições, planejamento estratégico, gestão baseada em atividades, balanced scorecard e valor econômico adicionado

Souza (2011) elenca as principais ferramentas da contabilidade gerencial: Orçamento; Fluxo de Caixa; Técnicas de Análise de Investimentos; Análise das Demonstrações Contábeis; Planejamento E Controle, dividido em: Planejamento Tributário, Planejamento Estratégico, Controle de Estoque, Controle de Contas a Pagar e a Receber; Custos; Just In Time (Jit); Valor Econômico Adicionado (Eva); Gecon; e Balanced Scorecard.

As ferramentas destacadas por Teixeira et al. (2011), são: Análise da Cadeia de Valor; Análise da Teoria das Restrições; Análise por Centro de Responsabilidade; Balanced Scorecard; Benchmarking (externo e interno); Custeio ABC; Custeio de Ciclo de Vida; Custeio Kaizen; Custeio Meta; Custeio Padrão; Custeio por Absorção; Custeio RKW; Custeio Variável; Departamento Específico de Contab. Gerencial; EVA; Orçamento Anual; Orçamento de Capital; Planejamento Estratégico; Ponto de Equilíbrio; Preço de Transferência; Sistema de Informação Gerencial.

Segundo Fraga, Romão e Nascimento Junior (2013) as ferramentas gerenciais são as demonstrações contábeis, os indicadores financeiros e o fluxo de caixa.

Baseado em diversos autores Oyadomari et al. (2013), define como as principais ferramentas da conabilidade gerencial a relação entre custo, volume e lucro (CVL); o custeio baseado em atividades (ABC de activity-based costing); o retorno sobre investimento (ROI); o lucro residual (EVA); a margem de contribuição; o orçamento; e a estrutura de capital.
Reis e Teixeira (2013), tratam as ferrementas como sinônimos de artefatos, com isso consideram como:
[...] artefatos tradicionais: custeio variável, custeio-padrão, custeio por absorção, orçamento, descentralização, valor presente, moeda constante e preço de transferência. São considerados artefatos modernos: teoria das restrições, custeio baseado em atividades (ABC), benchmarking, just-in-time, kaizen, custeio-meta, simulação, balanced scorecard, valor econômico adicionado (EVA) e GECON.

De acordo com os estudos supra citados foi construída a tabela 1, que apresenta as ferramentas presentes em, pelo menos, dois artigos.

Tabela 1- Ferramentas gerenciais citadas nos artigos analisados.
Ferramentas
Quant. de artigos
Preço de Transferência
2
Gestão baseada em atividade
2
Just in time
2
Demonstrações contábeis
3
Benchmarking
3
Teoria das restrições (TOC)
3
Balanced Scorecard
5
Valor Econômico Agregado (EVA/VEA)
5
Sistemas de Custeio
6
Orçamento
6
Fonte: Elaboração própria (2014)

Pode-se perceber que nenhuma das ferramentas esteve presente em todos os artigos. A ferramenta que esteve presente na maioria dos artigos foi o Orçamento e o Sistema de custeio, seguido do Balanced Scorecard e do valor econômico agregado.

Dando continuidade as ferramentas, agora apresentaremos o Orçamento na visão de diversos autores. 

Orçamento


“O orçamento é a ferramenta de controle por excelência de todo o processo operacional da empresa, pois envolve todos os setores da companhia.” (PADOVEZE, 2010, p.517)

Um orçamento é um plano detalhado do futuro que em geral é expresso em termos quantitativos formais. A junção de diversos orçamentos formam um plano integrado de negócios, conhecido como orçamento-mestre. O orçamento-mestre é uma ferramenta gerencial que comunica os planos da gerência a toda organização, aloca recursos e coordena atividades. (GARRISON, 2013).

Complementando, Frezatti (2013) considera o orçamento como um dos pilares da gestão e uma das ferramentas fundamentais para a prestação de contas dos gestores. Ainda, conceitua o orçamento como um plano financeiro para implementar uma estratégia para determinado exercício. Afirma também, que o orçamento é mais que uma simples estimativa, é um plano de metas que devem ser alcançadas pelos gestores.

O objetivo do Orçamento é coordenar os esforços da organização na realização de um plano operacional de curto e longo prazo, o qual será usado como base para avaliação de desempenho. (OYADOMARI et al., 2013)

Na próxima segunda apresentaremos mais uma ferramenta da Contabilidade Gerencial. Fique ligado em nosso Blog e não deixe de curtir a nossa fan page no Facebook: facebook.com/contabilidadegerencialecustos, em breve teremos o sorteio de um livro e você, claro, não vai ficar de fora!

Referências

FRAGA, J. C.; ROMÃO, J. A. N.; NASCIMENTO JUNIOR, R. J. A Contabilidade Gerencial como ferramenta no processo de tomada de decisão nas microempresas. Revista Eletrônica da Faculdade José Augusto Vieira, Cidade Nova, v. VI, p. 75-88, março 2013. ISSN 1983-1285.


FREZATTI, F. Orçamento empresarial: planejamento e controle gerencial. 5. ed. Atlas, 2013.


GARRISON, R. H.; NOREEN, E. W.; BREWER, P. C. Contabilidade Gerencial. 14. ed. Porto Alegre: AMGH, 2013..


GONZAGA, R. P. et al. Associação entre práticas de contabilidade gerencial e tamanho das empresas: um estudo empírico. In: ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS PROGRAMAS DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS CONTÁBEIS (ANPCONT), 4., 2010, Natal (RN). Anais... Natal: ANPCONT, 2010.


HENRIQUE, M. A. A importância da contabilidade gerencial para micro e pequena empresa. Taubaté: UNITAU, 2008.


OYADOMARI, J. C. T. et al. Relacionamentos entre controle gerencial, aprendizagem organizacional e decisões. Revista Contemporânea de Contabilidade, Florianópolis, v. 10, n. 20, p. 53-74, mai/ago 2013. ISSN 2175-8069.


PADOVEZE, C. Contabilidade gerencial: um enfoque em sistema de informação contábil. 7.ed. Atlas, 2010


REIS, A. M., TEIXEIRA, A. Utilização de artefatos de Contabilidade Gerencial nas Sociedades Cooperativas Agropecuárias de Minas Gerais e sua relação com porte e desempenho financeiro. Revista de Educação e Pesquisa em Contabilidade, Brasilia, v. 7, n. 4, p. 355-371, out/dez 2013. ISSN 1981-8610.


SOUZA, R. A. R., RIOS, R. P. Contabilidade Gerencial como Ferramenta para Gestão Financeira nas Microempresas: Uma Pesquisa no Município de São Roque SP. Revista Eletrônica Gestão e Negócios, São Roque, v. 2, n. 1, 2011.


TEIXEIRA, A. J. C. et al. A utilização de ferramentas de contabilidade gerencial nas empresas do Estado do Espírito Santo. Brazilian Business Review, Vitória, v. 8, n. 3, p. 108-127, jul/set 2011. ISSN 1807-734X.




terça-feira, 7 de outubro de 2014

Demonstrações Contábeis


Fonte da imagem:http://www.refer.com.br/novosite/?fin=dc




Como mencionado em nossa última postagem, a contabilidade gerencial necessita de algumas ferramentas para apresentar resultados satisfatórios aos seus usuários. Hoje nós vamos apresentar um pouco das demonstrações contábeis.

De acordo com o CPC 26 as demonstrações contábeis representam, de forma estruturada, a posição patrimonial e financeira, e o desempenho da entidade. Tendo como objetivo proporcionar informação a cerca da posição patrimonial e financeira, do desempenho e dos fluxos de caixa da entidade sendo útil para diversos usuários em suas avaliações e tomada de decisões econômicas e gerenciais.
Para atingir os seus objetivos as demonstrações fornecem informações acerca dos seguintes itens: Ativo, Passivo, Patrimônio Líquido, Receitas e Despesas, Alterações do Capital próprio e Fluxos de Caixa.  
De acordo com o Art. 176 da 6.404/76, que foi alterada pela lei 11.638/07, a diretoria da companhia, ao término de cada exercício social, deverá exprimir as seguintes demonstrações
I - balanço patrimonial;
II - demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados;
III - demonstração do resultado do exercício;
IV - demonstração dos fluxos de caixa; e
V - se companhia aberta, demonstração do valor adicionado. 

Balanço Patrimonial
“O balanço tem por finalidade apresentar a posição financeira e patrimonial da empresa em determinada data, representando, portanto, uma posição estática.” (IUDÍCIBUS et al, 2010a, p. 2)
De acordo com o Art. 178 da lei supra citada, o Balanço Patrimonial é formado por dois grupos de contas: o Ativo e o Passivo.
O CPC 26 afirma que a entidade deve apresentar ativos circulantes e não circulantes, assim como passivo circulante e não circulante, como grupo distintos no Balanço Patrimonial. No Ativo as contas serão classificadas em ordem decrescente de acordo com o seu grau de liquidez. No Passivo as contas serão classificadas em ordem decrescente de acordo com o seu grau de exigibilidade.
De acordo com o CPC 26 para que um ativo seja classificado com circulante ele precisa atender algum dos seguintes critérios:
(a) Espera-se que seja realizado, vendido ou consumido no ciclo operacional da entidade
(b) está mantido essencialmente com o propósito de ser negociado;
(c) espera-se que seja realizado até doze meses após a data do balanço; ou
(d) é caixa ou equivalente de caixa
O CPC 26 faz uso da expressão “não circulante” para incluir ativos tangíveis, intangíveis e ativos financeiros de natureza de longo prazo, e estabelece que o não circulante deve ser subdividido em realizável a longo prazo, investimentos, imobilizado e intangível.
Para que o passivo seja classificado como circulante precisa atender algum dos seguintes critérios:
(a) espera-se que seja liquidado durante o ciclo operacional normal da entidade;
(b) está mantido essencialmente para a finalidade de ser negociado;
(c) deve ser liquidado no período de até doze meses após a data do balanço; ou
(d) a entidade não tem direito incondicional de diferir a liquidação do passivo durante pelo menos doze meses após a data do balanço.
Todos os outros passivos devem ser classificados como não circulantes.
O patrimônio líquido deve apresentar o capital social, as reservas de capital, os ajustes de avaliação patrimonial, as reservas de lucros, as ações ou quotas em tesouraria, os prejuízos acumulados, os lucros acumulados, se legalmente admitidos e as demais contas exigidas pelos Pronunciamentos Técnicos emitidos pelo CPC.

Demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados (DLPA)
De acordo com Ribeiro (2009b, p. 372) “a Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados é um relatório contábil que tem por finalidade evidenciar a destinação do lucro líquido apurado no final de cada exercício social.”
O Art. 186 da Lei 6.404/76, estabelece que a demonstração de lucros ou prejuízos acumulados discriminará:
I - o saldo do início do período, os ajustes de exercícios anteriores e a correção monetária do saldo inicial;
II - as reversões de reservas e o lucro líquido do exercício;
III - as transferências para reservas, os dividendos, a parcela dos lucros incorporada ao capital e o saldo ao fim do período.

Demonstração do Resultado do Exercício (DRE)
Segundo Iudícibus (2010b, p. 68) na DRE “aparecerão, detalhadamente e dentro de critérios de classificação, as contas de Receita, Despesa e o Lucro ou Prejuízo Líquido.”
 Ribeiro (2009b, p.368) afirma que “por meio dessa demonstração, pode-se verificar o resultado que a empresa obteve (lucro ou prejuízo) no desenvolvimento de suas atividades durante determinado período, geralmente iguala um ano. “
O CPC 26 determina que a demonstração do resultado do período deve, no mínimo, incluir as seguintes rubricas, obedecidas também as determinações legais:
(a) receitas;
(b) custo dos produtos, das mercadorias ou dos serviços vendidos;
(c) lucro bruto;
(d) despesas com vendas, gerais, administrativas e outras despesas e receitas operacionais;
(e) parcela dos resultados de empresas investidas reconhecida por meio do método de equivalência patrimonial;
(f) resultado antes das receitas e despesas financeiras
(g) despesas e receitas financeiras;
(h) resultado antes dos tributos sobre o lucro;
(i) despesa com tributos sobre o lucro;
(j) resultado líquido das operações continuadas;
(k) valor líquido dos seguintes itens:
(i) resultado líquido após tributos das operações descontinuadas;
(ii) resultado após os tributos decorrente da mensuração ao valor justo menos despesas de venda ou na baixa dos ativos ou do grupo de ativos à disposição para venda que constituem a unidade operacional descontinuada.
(l) resultado líquido do período.

Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL)
De acordo com o CPP 26, a demonstração das mutações do patrimônio líquido inclui as seguintes informações:
(a) o resultado abrangente do período, apresentando separadamente o montante total atribuível aos proprietários da entidade controladora e o montante correspondente à participação de não controladores;
(b) para cada componente do patrimônio líquido, os efeitos da aplicação retrospectiva ou da reapresentação retrospectiva, reconhecidos de acordo com o Pronunciamento Técnico CPC 23 – Políticas Contábeis, Mudança de Estimativa e Retificação de Erro;
(c) [eliminado];
(d) para cada componente do patrimônio líquido, a conciliação do saldo no início e no final do período, demonstrando-se separadamente as mutações decorrentes:
(i) do resultado líquido;
(ii) de cada item dos outros resultados abrangentes; e
(iii) de transações com os proprietários realizadas na condição de proprietário, demonstrando separadamente suas integralizações e as distribuições realizadas, bem como modificações nas participações em controladas que não implicaram perda do controle.
Segundo Iudícibus (2010a) se uma entidade elaborar a DMPL, incluindo-a no quadro das suas demonstrações, a mesma deverá deixar de elaborar a DLPA, desde que as informações desta estejam, no mesmo nível de detalhamento, daquela.   

Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC)
A Demonstração do Fluxo de Caixa apresenta todas as movimentações ocorridas em determinado período e que modificam a conta Caixa ou Equivalentes de Caixa (Banco Conta Movimento e Aplicações Financeiras de Liquidez Imediata), ou seja, é o movimento de entradas e de saídas de dinheiro da empresa. (RIBEIRO, 2009a)
De acordo com o CPC 03 a DFC, quando utilizada em comunhão com as outras demonstrações contábeis, geram informações que permitem ao usuário avaliar as mudanças nos ativos líquidos da entidade, sua estrutura financeira e sua capacidade para mudar os montantes e a época de ocorrência dos fluxos de caixa, de modo que adequem-se às mudanças nas circunstâncias e oportunidades.
 “Divide todos os fluxos de entrada e saída de caixa em três grupos: os derivados das atividades operacionais, das atividades de investimento e das atividades de financiamento.” (IUDÍCIBUS, 2010a, p.5). A divisão é feita, normalmente, pela natureza da transação que deu origem a atividade.
No grupo operacional estão envolvidas todas as atividades relacionadas a produção e entrega dos bens/serviços e os demais eventos não definidos como atividades de investimento e financiamento. No grupo de investimento incluem a concessão e o recebimento, aquisição e alienação de imobilizados e de participações classificadas como investimento, compra e venda de instrumentos financeiros e patrimoniais de outras entidades. Por fim, o grupo de financiamento contém a obtenção de recursos dos proprietários e o pagamento a estes, a aquisição de empréstimos junto a credores e a amortização ou liquidação destes, e também a obtenção e pagamento de recursos de credores via créditos de longo prazo. (IUDÍCIBUS, 2010a)

Demonstração do Valor Adicionado (DVA)
A DVA evidencia o quanto a empresa adicionou de valor aos seus fatores de produção, e quanto e como essa riqueza foi distribuída, assim como a parcela não distribuída. (RIBEIRO, 2009b)
Segundo o CPC 09 a “DVA deve proporcionar aos usuários das demonstrações contábeis informações relativas à riqueza criada pela entidade em determinado período e a forma como tais riquezas foram distribuídas.”
O inciso II do Art. 188 da Lei 6.404/76, indica as informações mínimas que devem conter na DVA: “o valor da riqueza gerada pela companhia, a sua distribuição entre os elementos que contribuíram para a geração dessa riqueza, tais como empregados, financiadores, acionistas, governo e outros, bem como a parcela da riqueza não distribuída.”
Enquanto o CPC 09 cita as seguintes informações como sendo as mínimas exigidas:
(a) pessoal e encargos;
(b) impostos, taxas e contribuições;
(c) juros e aluguéis;
(d) juros sobre o capital próprio (JCP) e dividendos;
(e) lucros retidos/prejuízos do exercício.

Notas Explicativas
Segundo o CPC 26 As notas explicativas devem:
(a) apresentar informação acerca da base para a elaboração das demonstrações contábeis e das políticas contábeis específicas utilizadas
(b) divulgar a informação requerida pelos Pronunciamentos Técnicos, Orientações e Interpretações do CPC que não tenha sido apresentada nas demonstrações contábeis; e
(c) prover informação adicional que não tenha sido apresentada nas demonstrações contábeis, mas que seja relevante para sua compreensão.
“Obrigatoriamente, todas as adaptações feitas nas demonstrações, sempre por razões lógicas, devem ser complementadas por esclarecedoras Notas Explicativas.” (IUDÍCIBUS, 2010b)
De acordo com o CPC 26 “as notas explicativas devem ser apresentadas, tanto quanto seja praticável, de forma sistemática. Cada item das demonstrações contábeis deve ter referência cruzada com a respectiva informação apresentada nas notas explicativas. “
Essas são as demonstrações contábeis exigidas pela Lei das Sociedades por Ações e normatizadas pelo CPC. Em nossas próximas postagens iremos apresentar as demais ferramentas necessárias para uma Contabilidade Gerencial bem sucedida. Então fique ligado no nosso Blog e não deixe de curtir a nossa fanpage no Facebook:
Até a quinta!

Referências
COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS – CPC. CPC-03: Demonstrações do Fluxo de Caixa (R2). Brasília, out. 2010. Disponível em: < http://static.cpc.mediagroup.com.br/Documentos/183_CPC_03_R2_rev%2004.pdf>. Acesso em: 06 out. 2014


COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS – CPC. CPC-09: Demonstração do Valor Adicionado. Brasília, nov. 2008. Disponível em: < http://static.cpc.mediagroup.com.br/Documentos/175_CPC_09.pdf>. Acesso em: 06 out. 2014


COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS – CPC. CPC-26: Apresentação das Demonstrações Contábeis (R1). Brasília, dez. 2011. Disponível em: <http://www.cpc.org.br/Arquivos/Documentos/312_CPC_26_R1_rev%2003.pdf> .Acesso em: 06 out. 2014


IUDÍCIBUS, S. et al. Manual de Contabilidade Societária. São Paulo: Atlas 2010a


_______. Contabilidade Introdutória. São Paulo: Atlas,2010b


Lei nº 11.638 de 28 de dezembro de 2007 – Alterou e revogou dispositivos na Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e estende às sociedades de grande porte disposições relativas à elaboração e divulgação de demonstrações financeiras.


Lei nº 6.404 de 15 de dezembro de 1976 (Lei das Sociedades por Ações)

Medida Provisória nº 449 de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei 11.941/ 2009 – Alterou e revogou dispositivos da Lei nº 6.404/ 1976 e deu outras providências.


RIBEIRO, O. M. Contabilidade Básica. São Paulo: Saraiva, 2009a



­­_______. Contabilidade Intermediária. São Paulo: Saraiva, 2009b

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Contabilidade Gerencial

 Fonte da imagem: http://www.bkrtreinamento.com.br/curso_tomadadecisao_jun_rj.html 

A Contabilidade Gerencial tem como objetivo gerar informações relevantes e úteis aos gestores, auxiliando-os no processo de planejamento, controle e tomada de decisões nas organizações. De maneira geral, esta afirmação é corroborada por diversos autores, com maior ou menor aprofundamento do conceito, porém na essência de que a contabilidade gerencial auxilia na geração de informações para tomada de decisões, constitui-se numa conceituação central de todos. (CUNHA et al., 2009, p.194). 
Evidencia-se que a contabilidade gerencial é uma ramificação da contabilidade que tem como principal função auxiliar na tomada de decisão. O público alvo da contabilidade gerencial são os usuários internos da empresa (os funcionários, gestores e executivos).

A contabilidade gerencial deve fornecer informações para que o usuário interno da empresa tenha condições de tomar decisões que melhorem a qualidade e os custos dos produtos/serviços.

De acordo com Oyadomari et al. (2013) a contabilidade gerencial, do ponto de vista organizacional, é operacionalizada pelo Sistema de Controle Gerencial (SCG), alinhando as estratégias dos gestores para que haja melhoria de desempenho. Os autores completam dizendo que “à luz da literatura de Contabilidade Gerencial, o Uso do SCG. possui papel importante no que tange ao processo de geração do conhecimento nas organizações, materializado pelas decisões tomadas pelos gestores.” (OYADOMARI et al., 2013, p.55)

Segundo Vasconcelos (2002, p.5) “uma entidade tem Contabilidade Gerencial se houver dentro dela pessoas que consigam traduzir os conceitos contábeis em atuação prática. Contabilidade Gerencial significa gerenciamento da informação contábil.”

Quando a contabilidade Gerencial é comparada com a contabilidade financeira, evidencia-se algumas divergências, essas diferenças estão evidenciadas no Quadro 1 que apresenta um comparativo desses pontos.

Contabilidade Financeira x Contabilidade Gerencial


Contabilidade Financeira
Contabilidade Gerencial
Clientela
Externa:          acionistas, credores, autoridades tributárias.
Interna:             funcionários, administradores, executivos.
Propósito

Reportar o desempenho passado às partes externas; contratos com proprietários e credores.
Informar        decisões internas          tomadas            pelos funcionários      e            gerentes; feedback    e            controle           sobre desempenho operacional; contratos com proprietários e credores.
Data

Histórica, atrasada.
Atual, orientada para o futuro.
Restrições

Regulamentada:            dirigida por      regras e            princípios fundamentais da contabilidade e por autoridades governamentais
Desregulamentada:
sistemas e informações determinadas pela administração para satisfazer necessidades estratégicas e operacionais.
Tipos de Informação

Somente para mensuração financeira.
Mensuração física e operacional dos processos, tecnologia, fornecedores e competidores.
Natureza da informação

Objetiva,        auditável, confiável, consistente, precisa.
Mais  subjetiva, e sujeita a         juízo     de        valor,            válida, relevante, acurada.
Escopo

Muito agregada; reporta toda a empresa.
Desagregada; informa as decisões e ações locais.
Fonte: Vasconcelos (2002, p. 4-5)

Para Carlos Filho et al. (2013)  a contabilidade gerencial não está presa a operacionalidade e a processos rotineiros, e diferente da contabilidade financeira, que se restringe tão somente aos aspectos societários, ela porém atinge outros campos, como a administração financeira, a estatística, e outras áreas do conhecimento.

Para que a contabilidade gerencial apresente resultados que buscam atender aos seus usuários são utilizadas algumas ferramentas como: as demonstrações contábeis (Balanço Patrimonial, DRE, DFC), as diversas formas de custeio, o balanced scorecard, entre outras que serão apresentadas em nossas futuras postagens.

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Referências
CARLOS FILHO, F. A. ; LAGIOIA, U. C. T.; MEIRA, J. ; RODRIGUES, R. N. . A Abrangência da Contabilidade Gerencial segundo os Docentes das Instituições de Ensino Superior do Estado da Paraíba. Reunir: Revista de Administracao, Ciencias Contabeis e Sustentabilidade, v. 3, p. 20-38, 2013.


CUNHA, P. R. da ; BEUREN, I. M.; RAUSCH, R. B.; BENVENUTTI, D.. Abrangência da contabilidade gerencial segundo os docentes de contabilidade de Santa Catarina - Brasil. Revista del Instituto Internacional de Costos, n. 5, p. 191-211, jul/dez 2009. ISSN 1646-6896


OYADOMARI, J. C. T. et al. Relacionamentos entre controle gerencial, aprendizagem organizacional e decisões. Revista Contemporânea de Contabilidade, Florianópolis, v. 10, n. 20, p. 53-74, mai/ago 2013. ISSN 2175-8069.


VASCONCELOS, A. M. B.. A importância da contabilidade gerencial e do novo papel do contador para a administração. In: 2º Seminário USP de Contabilidade, 2002, São Paulo. www.eac.fea.usp.br/congressousp/seminario2/, 2002.